'Nunca pensei em desistir', diz mãe que teve gêmeos aos 61 em Santos- São Paulo- Brazil
Antônia Letícia deu à luz gêmeos na última terça-feira (23 de Outubro de 2012).
Auxiliar administrativa tentava ser mãe há mais de 20 anos.
Auxiliar administrativa tentava ser mãe há mais de 20 anos.
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(Foto: Mariane Rossi/G1)
A auxiliar administrativa Antônia Letícia Asti, de 61 anos, que realizou o sonho de ser mãe na última terça-feira (23), recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Lucas, em Santos, no litoral de São Paulo, no início da tarde desta quinta-feira (25). Extremamente feliz com a primeira gravidez, Antônia, apesar da idade, conta que nunca pensou em desistir do sonho de ser mãe.
"Estou muito feliz. Realizei o meu sonho de ser mãe. Agradeço a Deus e ao médico. Lutei bastante mas, graças a Deus consegui. Todos que querem uma vitória precisam lutar. Em nenhum momento pensei em desistir. Sempre quis ser mãe. A gente não tinha muitas condições, mas economizamos muito para poder realizar o nosso sonho", disse Antônia.
Apesar da idade avançada, Antônia se considera muito bem e apta para cuidar e dar muito amor para as crianças. "Estou ótima. Tenho muita disposição para cuidar deles. Não me considero com 61 anos. Acho que a minha data de nascimento está errada", brinca.
O pai das crianças, José César Asti, apoiou a esposa em todas as etapas do tratamento. O marceneiro, que escolheu o nome de Roberto para o menino, se emocionou bastante quando viu os filhos pela primeira vez. "A emoção é muito forte. Todos os dias eu vejo os bebês de manhã e de noite", disse. O nome da menina foi escolhido pela mãe e será Sofia.
Segundo Marco Antônio Antun, diretor clínico do hospital, apesar da gestação de risco, os bebês passam bem. "A mãe foi atendida em condições boas e passa bem, apesar do risco muito grande que uma gestação em uma idade avançada pode trazer. Os bebês também estão bem. Eles devem ficar internados algumas semanas até atingir o peso ideal.
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A gravidez
Antônia Letícia tentava ser mãe há mais de 20 anos. Ela foi acompanhada, durante todo esse tempo, pelo ginecologista Orlando de Castro Neto. Após quatro tentativas de inseminação artificial, Antônia finalmente conseguiu engravidar.
Sofia e Roberto nasceram às 22h30 do dia 23 de outubro, na maternidade do Hospital São Lucas. Os bebês nasceram de cesárea pesando cerca de 900 gramas cada um e passam bem. A mãe precisou ficar na UTI durante 24 horas para estabilizar a pressão, mas já foi encaminhada para o quarto. O parto precisou ser adiantado por causa de uma hipertensão severa da mãe, e acabou acontecendo com apenas 31 semanas. Ainda não há previsão de quando eles receberão alta médica.
Antônia Letícia tentava ser mãe há mais de 20 anos. Ela foi acompanhada, durante todo esse tempo, pelo ginecologista Orlando de Castro Neto. Após quatro tentativas de inseminação artificial, Antônia finalmente conseguiu engravidar.
Sofia e Roberto nasceram às 22h30 do dia 23 de outubro, na maternidade do Hospital São Lucas. Os bebês nasceram de cesárea pesando cerca de 900 gramas cada um e passam bem. A mãe precisou ficar na UTI durante 24 horas para estabilizar a pressão, mas já foi encaminhada para o quarto. O parto precisou ser adiantado por causa de uma hipertensão severa da mãe, e acabou acontecendo com apenas 31 semanas. Ainda não há previsão de quando eles receberão alta médica.
'Nunca pensei em desistir', diz mãe que teve gêmeos aos 61 em Santos
Antônia Letícia deu à luz gêmeos na última terça-feira (23).
Auxiliar administrativa tentava ser mãe há mais de 20 anos.
Mariane Rossi Santos, SP
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Antônia Letícia, de 61 anos, teve gêmeos e realizou o sonho de ser mãe (Foto: Mariane Rossi/G1)
A auxiliar administrativa Antônia Letícia Asti, de 61 anos, que realizou o sonho de ser mãe na última terça-feira (23), recebeu alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital São Lucas, em Santos, no litoral de São Paulo, no início da tarde desta quinta-feira (25). Extremamente feliz com a primeira gravidez, Antônia, apesar da idade, conta que nunca pensou em desistir do sonho de ser mãe.
"Estou muito feliz. Realizei o meu sonho de ser mãe. Agradeço a Deus e ao médico. Lutei bastante mas, graças a Deus consegui. Todos que querem uma vitória precisam lutar. Em nenhum momento pensei em desistir. Sempre quis ser mãe. A gente não tinha muitas condições, mas economizamos muito para poder realizar o nosso sonho", disse Antônia.
Apesar da idade avançada, Antônia se considera muito bem e apta para cuidar e dar muito amor para as crianças. "Estou ótima. Tenho muita disposição para cuidar deles. Não me considero com 61 anos. Acho que a minha data de nascimento está errada", brinca.
Crianças passam bem, mas ainda não há previsão de alta médica (Foto: Mariane Rossi/G1)
O pai das crianças, José César Asti, apoiou a esposa em todas as etapas do tratamento. O marceneiro, que escolheu o nome de Roberto para o menino, se emocionou bastante quando viu os filhos pela primeira vez. "A emoção é muito forte. Todos os dias eu vejo os bebês de manhã e de noite", disse. O nome da menina foi escolhido pela mãe e será Sofia.
Segundo Marco Antônio Antun, diretor clínico do hospital, apesar da gestação de risco, os bebês passam bem. "A mãe foi atendida em condições boas e passa bem, apesar do risco muito grande que uma gestação em uma idade avançada pode trazer. Os bebês também estão bem. Eles devem ficar internados algumas semanas até atingir o peso ideal.
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Antônia Letícia tentava ser mãe há mais de 20 anos. Ela foi acompanhada, durante todo esse tempo, pelo ginecologista Orlando de Castro Neto. Após quatro tentativas de inseminação artificial, Antônia finalmente conseguiu engravidar.
Sofia e Roberto nasceram às 22h30 do dia 23 de outubro, na maternidade do Hospital São Lucas. Os bebês nasceram de cesárea pesando cerca de 900 gramas cada um e passam bem. A mãe precisou ficar na UTI durante 24 horas para estabilizar a pressão, mas já foi encaminhada para o quarto. O parto precisou ser adiantado por causa de uma hipertensão severa da mãe, e acabou acontecendo com apenas 31 semanas. Ainda não há previsão de quando eles receberão alta médica.
25/10/2012 16h00 - Atualizado em 25/10/2012 18h33
&
'I never thought about quitting,' says mother who had twins at 61 in Santos
Leticia Antonia gave birth to twins last Tuesday (23).
Administrative assistant tried to be a mother for over 20 years.
Mariane Rossi Santos, SP
264 reviews
Antonia Leticia, 61, had twins and realized his dream of being a mom (Photo: Mariane Rossi/G1)
The administrative assistant Antonia Leticia Asti, 61, who realized his dream of being a mother at last Tuesday (23), was discharged from the Intensive Care Unit (ICU) of the Hospital São Lucas in Santos, on the coast of São Paulo in the early afternoon of Thursday (25). Extremely happy with the first pregnancy, Antonia, despite his age, says he never thought about giving up the dream of being a mother.
"I'm very happy. Carried through my dream of being a mother. Thank God and the doctor. Fought enough but thank God I did. Everyone who wants to have to fight a victory. Nowhere thought about quitting. Always wanted to be a mother. A We did not have many conditions, but save a lot in order to realize our dream, "said Antonia.
Despite his advanced age, Antonia is considered very good and able to give lots of love and care for children. "I'm fine. Much I'm willing to take care of them. Do not consider myself to 61 years. Guess that my birth date is wrong," he jokes.
Children are fine, but there is no prediction of high medical (Photo: Mariane Rossi/G1)
The children's father, José César Asti, supported his wife in all stages of treatment. The carpenter, who chose the name for the boy Roberto, was moved enough when he saw the children first. "The emotion is very strong. Everyday I see babies in the morning and night," he said. The girl's name was chosen by his mother and will be Sofia.
According to Marco Antonio Antun, clinical director of the hospital, despite the high risk pregnancies, babies are doing well. "The mother was served in good condition and well, despite the great risk that a pregnancy at an advanced age can bring. Babies are also good. They should be hospitalized a few weeks until you reach your ideal weight.
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Pregnancy
Antonia Leticia tried to be a mother for over 20 years. She was accompanied during all this time, the gynecologist Orlando Castro Neto. After four attempts at artificial insemination, Antonia finally got pregnant.
Sophie and Robert were born at 22.30 on 23 October, at the Hospital São Lucas. Babies born cesarean section weighing about 900 grams each and are doing well. The mother had to stay in ICU for 24 hours to stabilize the pressure, but it was sent to the ward. The delivery had to be early because of a severe hypertension of the mother, and ended up happening with only 31 weeks. No estimate of when they will receive medical discharge.
25/10/2012 16:00 - Updated 25/10/2012 18h33
Leticia Antonia gave birth to twins last Tuesday (23).
Administrative assistant tried to be a mother for over 20 years.
Mariane Rossi Santos, SP
264 reviews
Antonia Leticia, 61, had twins and realized his dream of being a mom (Photo: Mariane Rossi/G1)
The administrative assistant Antonia Leticia Asti, 61, who realized his dream of being a mother at last Tuesday (23), was discharged from the Intensive Care Unit (ICU) of the Hospital São Lucas in Santos, on the coast of São Paulo in the early afternoon of Thursday (25). Extremely happy with the first pregnancy, Antonia, despite his age, says he never thought about giving up the dream of being a mother.
"I'm very happy. Carried through my dream of being a mother. Thank God and the doctor. Fought enough but thank God I did. Everyone who wants to have to fight a victory. Nowhere thought about quitting. Always wanted to be a mother. A We did not have many conditions, but save a lot in order to realize our dream, "said Antonia.
Despite his advanced age, Antonia is considered very good and able to give lots of love and care for children. "I'm fine. Much I'm willing to take care of them. Do not consider myself to 61 years. Guess that my birth date is wrong," he jokes.
Children are fine, but there is no prediction of high medical (Photo: Mariane Rossi/G1)
The children's father, José César Asti, supported his wife in all stages of treatment. The carpenter, who chose the name for the boy Roberto, was moved enough when he saw the children first. "The emotion is very strong. Everyday I see babies in the morning and night," he said. The girl's name was chosen by his mother and will be Sofia.
According to Marco Antonio Antun, clinical director of the hospital, despite the high risk pregnancies, babies are doing well. "The mother was served in good condition and well, despite the great risk that a pregnancy at an advanced age can bring. Babies are also good. They should be hospitalized a few weeks until you reach your ideal weight.
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Pregnancy
Antonia Leticia tried to be a mother for over 20 years. She was accompanied during all this time, the gynecologist Orlando Castro Neto. After four attempts at artificial insemination, Antonia finally got pregnant.
Sophie and Robert were born at 22.30 on 23 October, at the Hospital São Lucas. Babies born cesarean section weighing about 900 grams each and are doing well. The mother had to stay in ICU for 24 hours to stabilize the pressure, but it was sent to the ward. The delivery had to be early because of a severe hypertension of the mother, and ended up happening with only 31 weeks. No estimate of when they will receive medical discharge.
25/10/2012 16:00 - Updated 25/10/2012 18h33
Gestação após gastroplastia para tratamento de obesidade mórbida: série de casos e revisão da literatura
Pregnancy after gastroplasty for treatment of morbid obesity: a case series and review of the literature
Josivan Gomes de LimaI; Lúcia Helena Coelho NóbregaII; Juliana Bezerra MesquitaIII; Maria Lúcia Coelho NóbregaIV; Aldo da Cunha MedeirosV; Tecia Maria de Oliveira MaranhãoVI; George Dantas AzevedoVII
IProfessor do Departamento de Medicina Clínica (Endocrinologia) e mestrando do PPGCSA - Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil
IIMédica Endocrinologista do Hospital Universitário Onofre Lopes e mestranda do PPGCSA - Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil
IIIAcadêmica do Curso de Medicina - Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil
IVMédica Endocrinologista - Centro de Endocrinologia de Natal – Natal (RN), Brasil
VProfessor do Departamento de Cirurgia e Orientador do PPGCSA - Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil
VIProfessora do Departamento de Tocoginecologia e Orientador do PPGCSA - Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil
VIIProfessor do Departamento de Morfologia e Coordenador do PPGCSA – Centro de Biociências - Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil
IIMédica Endocrinologista do Hospital Universitário Onofre Lopes e mestranda do PPGCSA - Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil
IIIAcadêmica do Curso de Medicina - Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil
IVMédica Endocrinologista - Centro de Endocrinologia de Natal – Natal (RN), Brasil
VProfessor do Departamento de Cirurgia e Orientador do PPGCSA - Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil
VIProfessora do Departamento de Tocoginecologia e Orientador do PPGCSA - Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil
VIIProfessor do Departamento de Morfologia e Coordenador do PPGCSA – Centro de Biociências - Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN – Natal (RN), Brasil
RESUMO
OBJETIVO: relatar a evolução de uma série de casos de gestação em mulheres previamente submetidas à cirurgia de bypassgástrico para tratamento de obesidade grave.
MÉTODOS: cinco casos consecutivos de gravidez após gastroplastia ocorridos entre 2001 e 2004 foram avaliados. As pacientes tinham idade entre 30 e 34 anos e todas haviam sido submetidas à cirurgia de Capella. Aspectos clínicos, laboratoriais e do acompanhamento materno e fetal foram considerados, durante o período gestacional e após o parto. Foi realizada revisão da literatura internacional, por meio das bases de dados MEDLINE e Web of Science, utilizando os seguintes unitermos: gastroplasty, gastric bypass surgery, bariatric surgery e pregnancy.
RESULTADOS: todas as gestações observadas foram únicas e não ocorreram complicações obstétricas, durante o seguimento pré-natal e parto. Também não houve registro de recém-nascidos prematuros ou de baixo peso ao nascimento.
CONCLUSÃO: nossos dados sugerem que a gravidez após gastroplastia é segura para a mãe e feto. Entretanto, em virtude do limitado volume de informação disponível sobre o tema, investigações adicionais são necessárias para estabelecer recomendações apropriadas com relação ao seguimento dessas gestações.
MÉTODOS: cinco casos consecutivos de gravidez após gastroplastia ocorridos entre 2001 e 2004 foram avaliados. As pacientes tinham idade entre 30 e 34 anos e todas haviam sido submetidas à cirurgia de Capella. Aspectos clínicos, laboratoriais e do acompanhamento materno e fetal foram considerados, durante o período gestacional e após o parto. Foi realizada revisão da literatura internacional, por meio das bases de dados MEDLINE e Web of Science, utilizando os seguintes unitermos: gastroplasty, gastric bypass surgery, bariatric surgery e pregnancy.
RESULTADOS: todas as gestações observadas foram únicas e não ocorreram complicações obstétricas, durante o seguimento pré-natal e parto. Também não houve registro de recém-nascidos prematuros ou de baixo peso ao nascimento.
CONCLUSÃO: nossos dados sugerem que a gravidez após gastroplastia é segura para a mãe e feto. Entretanto, em virtude do limitado volume de informação disponível sobre o tema, investigações adicionais são necessárias para estabelecer recomendações apropriadas com relação ao seguimento dessas gestações.
Palavras-chave: Gastroplastia; Obesidade mórbida/cirurgia; Gravidez; Obesidade mórbida
ABSTRACT
PURPOSE: we report a small series of pregnant women who underwent gastric bypass surgery for severe obesity, with a review of the literature on this topic.
METHODS: five consecutive cases of pregnancy after gastroplasty between 2001 and 2004 were evaluated, and clinical, laboratory and therapeutic features were considered. Patients were 30 to 34 years old and all had been submitted to gastroplasty by the Capella technique. The outcomes for both the pregnant woman and the fetus were evaluated. A search of the English language literature was done through MEDLINE and Web of Science databases with the following terms: gastroplasty, gastric bypass surgery, bariatric surgery, and pregnancy.
RESULTS: all 5 pregnancies were singleton. No major obstetric complications were observed and there were no premature or lowbirth weight infants.
CONCLUSION: our data suggest that pregnancy following gastroplasty is safe for mother and fetus. However, since information about this topic is limited, further investigations are required to establish appropriate recommendations concerning the follow-up of these pregnancies.
METHODS: five consecutive cases of pregnancy after gastroplasty between 2001 and 2004 were evaluated, and clinical, laboratory and therapeutic features were considered. Patients were 30 to 34 years old and all had been submitted to gastroplasty by the Capella technique. The outcomes for both the pregnant woman and the fetus were evaluated. A search of the English language literature was done through MEDLINE and Web of Science databases with the following terms: gastroplasty, gastric bypass surgery, bariatric surgery, and pregnancy.
RESULTS: all 5 pregnancies were singleton. No major obstetric complications were observed and there were no premature or lowbirth weight infants.
CONCLUSION: our data suggest that pregnancy following gastroplasty is safe for mother and fetus. However, since information about this topic is limited, further investigations are required to establish appropriate recommendations concerning the follow-up of these pregnancies.
Keywords:Gastroplasty; Obesity, morbid/surgery; Pregnancy; Obesity, morbid
Introdução
A obesidade é considerada atualmente uma epidemia mundial, sendo as diversas formas de tratamento disponíveis, na maioria das vezes, ineficazes em longo prazo1,2. Nos casos de obesidade mórbida (definida como índice de massa corpórea (IMC) maior que 40 kg/m2), o tratamento apresenta resultados ainda mais desanimadores.
A cirurgia bariátrica surgiu como opção terapêutica para a obesidade mórbida, mostrando-se eficaz em curto e longo prazo, não somente no que diz respeito à perda de peso, mas também à melhora e até resolução de comorbidades como diabete melito e hipertensão arterial, entre outras3.
Na atualidade, cerca de 84% dos pacientes que se submetem à gastroplastia são mulheres, muitas delas em idade fértil4. Nesse sentido, vislumbram-se benefícios adicionais da cirurgia, relacionados à esfera reprodutiva, tais como aumento da atividade sexual5 e melhora significativa na fertilidade6, a despeito da possibilidade de essas pacientes poderem evoluir com má nutrição induzida pela cirurgia7. Considerando esse último aspecto e a realidade de que muitas dessas mulheres podem vir a engravidar após a gastroplastia, especula-se o quanto a gestação poderia evoluir com resultados desfavoráveis nessa situação em particular.
A literatura é ainda deficiente de informações sobre os resultados de gravidez após realização de gastroplastia, havendo opiniões contraditórias advindas, na maioria das vezes, de relatos de casos e estudos com casuística reduzida. No presente artigo, os autores relatam resultados de uma série de casos de gestações em pacientes previamente submetidas à gastroplastia, enfocando especificamente os resultados obstétricos e perinatais.
Métodos
Foi realizado estudo retrospectivo constando de análise dos prontuários médicos de pacientes do sexo feminino submetidas à cirurgia bariátrica e acompanhadas clinicamente, no período de 2001 a 2004. A partir dessa análise inicial, foram detectadas cinco gestações ocorridas após a realização da cirurgia, as quais constituíram o objeto da análise. O estudo insere-se no contexto de uma pesquisa mais ampla destinada a avaliar os efeitos da obesidade mórbida sobre a função reprodutiva. O protocolo experimental foi analisado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Federal do Rio Grande do Norte.
A técnica cirúrgica empregada em todos os casos foi a de Capella, que consiste na realização de gastroplastia com Y de Roux, pela qual se deixa uma pequena bolsa gástrica que, isolada do restante do estômago, esvazia diretamente na alça do intestino delgado.
Foi empregado protocolo de pesquisa especificamente elaborado para obter informações sobre as variáveis relacionadas aos dados antropométricos maternos, no pré e pós-operatório da gastroplastia, parâmetros clínicos e ultra-sonográficos de acompanhamento pré-natal, resolução da gestação e dados perinatais. As principais variáveis consideradas para análise foram: IMC prévio à gastroplastia e por ocasião do diagnóstico de gestação, características do ciclo menstrual pré e pós-gastroplastia, comorbidades associadas à obesidade e intercorrências clínicas no pós-operatório.
Uma revisão da literatura científica internacional sobre o tema foi realizada, por meio das bases de dados MEDLINE e Web of Science, utilizando-se cruzamentos dos seguintes unitermos: gastroplasty, gastric bypass surgery, bariatric surgerye pregnancy.
Resultados
Na Tabela 1 são sumarizados os resultados relacionados ao IMC e perfil menstrual das pacientes, antes e após a gastroplastia. Observa-se que as pacientes obtiveram redução considerável de peso após a cirurgia e que houve regularização do ciclo menstrual na única paciente que apresentava quadro de amenorréia, prévio à gastroplastia. Nenhuma das pacientes necessitou da utilização de medicamentos para indução de ovulação, sendo as cincos gestações espontâneas. Durante o seguimento pré-natal, todas utilizaram reposição de ferro e polivitamínicos, em doses habituais.
Em relação aos resultados perinatais, a Tabela 1 mostra que as cinco gestações foram únicas e foram resolvidas no termo da gravidez. Não houve registro de baixo peso ao nascimento e nenhum recém-nascido necessitou de cuidados intensivos no pós-parto imediato ou tardio. Até o momento da submissão desse artigo, as crianças se encontravam sem anormalidades no desenvolvimento neuromotor, com média de acompanhamento de 13 meses.
A seguir, apresentamos descrições simplificadas dos aspectos clínicos e obstétricos de cada caso em particular.
Caso 1
Paciente de 31 anos tinha IMC de 47,5 kg/m2 antes da cirurgia; era hipertensa controlada com medicação. Os ciclos menstruais pré e pós-cirurgia eram regulares. Antecedente de duas gestações prévias, com um aborto espontâneo. Engravidou espontaneamente, após oito meses da gastroplastia, quando estava com IMC de 29,5 kg/m2. Com 14 semanas de gestação, apresentou quadro de ameaça de abortamento, que foi controlado com repouso, uso de antiespasmódicos e suplementação de progesterona natural (300 mg/dia). Durante a gestação, os exames laboratoriais demonstraram níveis de calcemia (9,1 mg/dL) e albumina (3,3 mg/dL) nos limites inferiores da normalidade, sendo feitas suplementações de carbonato de cálcio (500 mg, 2 vezes/dia) e suplemento protéico. A resolução da gestação ocorreu na 39ª semana, por parto cesáreo, sem intercorrências. Recém-nascido saudável, com peso de 2.962 g, estatura de 48 cm e Apgar 3/8.
Caso 2
Paciente de 30 anos, ciclos menstruais regulares pré e pós-cirurgia. O IMC prévio à gastroplastia era de 50 kg/m2. Evoluiu no pós-operatório com anemia, que foi tratada com suplementação de ferro. Cerca de 20 meses após a cirurgia, engravidou espontaneamente, quando estava com IMC=27,0 kg/m2. Não houve intercorrências na gestação e a resolução se deu por parto normal, a termo. Recém-nascido saudável, com peso de 3.715 g, estatura de 50 cm e Apgar 7/9.
Caso 3
Paciente de 33 anos, obesa mórbida (IMC=52,4 kg/m2), com antecedente de irregularidade menstrual do tipo oligoamenorréia, desde a menarca, só ocorrendo menstruação após uso oral de acetato de medroxiprogesterona. Após a cirurgia evoluiu com regularização dos ciclos menstruais, sem uso de medicação e engravidou espontaneamente após 14 meses (IMC=31,1 kg/m2). A gestação transcorreu sem anormalidades com resolução na 38ª semana, por cesárea, sem intercorrências no parto e puerpério imediato. Recém-nascido saudável, com peso de 3.000 g, estatura de 48 cm e índice Apgar 9/9.
Caso 4
Paciente 30 anos, IMC=45,4 kg/m2, hipertensa não controlada desde a sua última gestação, aos 26 anos, quando teve pré-eclâmpsia. Ciclos menstruais regulares antes e após a cirurgia. Antecedente de tiroidectomia devido a carcinoma papilífero. Foi submetida à cirurgia bariátrica pela técnica de Capella aberta; evoluiu no pós-operatório imediato com hemorragia interna, sendo administrados cinco bolsas de sangue. Engravidou, espontaneamente, 29 meses após a cirurgia, com IMC=26,8 kg/m2. Apresentou anemia, sendo tratada com suplementação de ferro. Com 35 semanas de idade gestacional, apresentou aumento da pressão arterial e foi administrado metildopa. A resolução da gestação ocorreu na 38ª semana, por cesárea, sem intercorrências. Recém-nascido saudável, com peso de 2.775 g, estatura de 47 cm e Apgar 9/10.
Caso 5
Paciente de 30 anos tinha IMC=50,45 kg/m2 antes da cirurgia, menarca aos 13 anos e ciclos menstruais pré e pós-cirurgia regulares. Engravidou espontaneamente, após três anos da gastroplastia, quando estava com IMC=31,1 kg/m2. Fez acompanhamento obstétrico e tomou vitaminas usuais da gestação, evoluindo sem complicações. A resolução da gestação ocorreu na 38ª semana, por parto cesáreo, sem intercorrências. Recém-nascido saudável, com peso de 3.250 g, estatura de 52 cm.
Discussão
A obesidade acarreta, reconhecidamente, problemas para a fertilidade feminina. Apesar de a maioria das portadoras de obesidade grave menstruar regularmente8, não pode se afirmar que a ovulação ocorre regularmente nessas mulheres, de forma que a infertilidade pode representar condição freqüentemente associada ao quadro de obesidade. A gravidez, quando ocorre, é considerada de alto risco, havendo maior incidência de diabete gestacional, pré-eclâmpsia e resolução do parto por cesariana, além dos riscos inerentes ao feto, como macrossomia e hipoglicemia neonatal9.
Por induzir perda de peso e atenuar riscos inerentes às comorbidades associadas à obesidade mórbida, a cirurgia bariátrica apresenta potencial também para ocasionar benefícios relacionados à esfera reprodutiva, tanto no homem, quanto na mulher. A despeito disso, em decorrência das alterações nutricionais determinadas pelo bypass gástrico, especula-se o quanto a gestação ocorrida após gastroplastia estaria associada com maior risco materno e fetal.
A literatura ainda é deficiente de informações definitivas sobre o tema, sendo a maioria dos estudos publicados referentes a relatos de casos ou pequenas casuísticas acompanhadas. Muitos relatos são feitos apenas quando os resultados obstétricos são adversos, dando a falsa impressão de que estes são muito freqüentes10. No presente artigo, os autores relatam os resultados obstétricos e perinatais de cinco gestações ocorridas após importante perda de peso induzida pela cirurgia bariátrica, com o objetivo de contribuir para o conhecimento científico nessa área e fornecer subsídios para a obtenção de recomendações apropriadas ao seguimento dessas gestações.
A técnica de Capella é uma das técnicas mais utilizadas em todo o mundo4 e com bons resultados em curto e longo prazo3. As cinco pacientes relatadas foram submetidas à mesma técnica, diferindo apenas na via de acesso cirúrgico. Ao nosso ver, esse aspecto não parece acarretar interferência significativa para os resultados de gestação, alertando-se apenas para o fato de que, no caso da cirurgia aberta, deve ser respeitado período de tempo suficiente para haver a completa cicatrização da parede abdominal, prévio à gravidez, conforme recomendado em relação a qualquer laparotomia.
Em relação ao padrão menstrual, em estudo prévio relatamos que a maioria das pacientes obesas ainda menstrua regularmente8, não significando obrigatoriamente que ovulam. Após a cirurgia bariátrica, aquelas que apresentam alguma irregularidade menstrual geralmente passam a ter ciclos regulares, conforme aconteceu na paciente do caso 3. Devemos orientar as pacientes que, caso não queiram engravidar, devem ter muito mais cuidado após a perda de peso e sugerir o melhor método anticoncepcional, evitando os anticoncepcionais orais devido à possibilidade de absorção errática. Uma das pacientes aqui relatadas teve a gestação não planejada, só descoberta no 3º mês.
Em nossa pequena série de casos, não foram evidenciadas complicações maternas nem fetais dignas de nota, corroborando achados de outros autores5,6,11. Dados da literatura apontam que, comparando-se gestações de pacientes obesas mórbidas antes da gastroplastia e após a perda de peso induzida pela cirurgia, encontra-se redução significativa na necessidade de cesárea, incidência de macrossomia e diabete gestacional5,12.
Fato particularmente importante em relação ao planejamento da gestação em pacientes previamente submetidas à gastroplastia diz respeito aos aspectos nutricionais. Uma vez que essas pacientes podem evoluir com deficiências de alguns compostos como ferro, vitamina B12, folato e cálcio, isso poderia resultar em aumento do risco para complicações maternas (anemia) e fetais (defeito no tubo neural, restrição no crescimento intra-uterino), recomendando-se o adequado manejo nutricional no pós-operatório, especialmente quando se planeja futura gestação, para assegurar concentrações séricas adequadas desses nutrientes antes da gestação.
É rotina em nosso serviço a utilização crônica de compostos polivitamínicos para todos os pacientes que realizaram gastroplastia. Os acompanhamentos são usualmente semestrais, e se o paciente apresenta anemia, deficiência de albumina ou hiperparatiroidismo secundário, suplementação de sulfato ferroso, proteínas e cálcio/vitamina D, respectivamente, são iniciadas. Apesar de nenhuma das pacientes ter realizado acompanhamento nutricional com o objetivo pré-concepcional, nenhuma delas apresentou quadro de desnutrição durante a gestação.
Anemia, quadro freqüente na gestação13, seja por deficiência de ferro, ácido fólico ou vitamina B12, foi encontrada apenas na paciente 4 durante a gestação. Saliente-se o fato de que todas utilizaram reposição de sulfato ferroso, conforme a rotina padronizada de acompanhamento pré-natal. Essa pequena incidência de anemia também foi citada por Wittgrove et al.12. Ocorrência de hérnias internas tem sido relatada na literatura, de modo que devemos ficar atentos a essa complicação potencial10,14.
Alguns cuidados devem ser levados em consideração para minimizar os riscos da gestação após gastroplastia. A paciente deve ser aconselhada a não engravidar no primeiro ano pós-cirurgia, visto que esse é o período em que a perda de peso se faz de forma mais intensa. Se a paciente engravida nesses primeiros doze meses, certamente perderá a fase de maior perda ponderal, e a potencial perda de peso provavelmente não será retomada após o parto. Além disso, as quantidades de alimentos ingeridos nessa fase de adaptação geralmente são menores, de modo que o risco de desnutrição, teoricamente, é maior. A despeito dos aspectos destacados, ilustre-se o fato de que uma das pacientes relatadas engravidou no 8º mês pós-cirurgia, sem ocorrência de complicações maternas ou fetais.
Outro aspecto importante do acompanhamento pré-natal, que merece consideração especial nas mulheres que engravidam após gastroplastia, diz respeito ao rastreamento do diabete gestacional. Essa estratégia é comumente realizada pelo do teste oral de tolerância à glicose, após sobrecarga oral de 50 g, 75 g ou 100 g de glicose, entre a 24ª e a 28ª semana de gestação. A realização do teste oral de tolerância à glicose não deve ser recomendada nessas pacientes, tendo em vista o risco do aparecimento da síndrome de dumping. Essa síndrome decorre do esvaziamento gástrico rápido e consiste de náuseas, vômitos, sudorese fria, astenia, desconforto abdominal, etc.
A análise dos resultados obstétricos e perinatais da pequena série de casos relatada sugere que a gestação após gastroplastia é segura para o binômio materno-fetal. Nosso estudo reforça resultados de outros autores demonstrando que, apesar de possível desnutrição materna induzida pela gastroplastia5,7, a cirurgia bariátrica aparentemente não compromete o desenvolvimento fetal intra-uterino nem o crescimento e desenvolvimento da criança no primeiro ano de vida. Entretanto, como todo estudo dessa natureza, nosso trabalho apresenta limitações relacionadas, principalmente, ao número de pacientes estudadas e à análise de apenas um tipo de técnica. Diante disso, investigações adicionais são necessárias para estabelecer recomendações apropriadas com relação ao seguimento dessas gestações.
Agradecimentos
A equipe de cirurgiões da UNICAD - Unidade de Nutrição e Cirurgia do Aparelho Digestivo e aos médicos obstetras responsáveis pelo atendimento pré-natal das pacientes incluídas no estudo.
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Gemini Woman of 61 Years of Age brazil 2012
25/10/2012 16h00 - Atualizado em 25/10/2012 18h33
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